Diabetes Burnout: Quando a Rotina de Cuidados Cansa (e Como Aliviar o Peso)

​Viver com diabetes — seja o tipo 1 (autoimune), o tipo LADA ou o tipo 2 com baixa reserva de insulina — exige um esforço que quem está de fora raramente consegue mensurar. Não podemos negar: aplicar insulina várias vezes ao dia, contar carboidratos, monitorar a glicemia e estar o tempo todo atento a números e cálculos gera um cansaço físico e mental profundo.
​Esse esgotamento tem nome: Diabetes Burnout.

É perfeitamente compreensível se desanimar de vez em quando. Afinal, sabemos que o diabetes não tira férias, não dá trégua nos finais de semana e não folga nos feriados. Mas, embora a condição seja constante, a forma como lidamos com ela pode mudar.

Para que você consiga ser o “melhor amigo” do seu diabetes (ou pelo menos fazer as pazes com ele), o segredo não está em listas intermináveis de regras, mas sim em simplificar a caminhada. Aqui estão alguns pilares fundamentais para te apoiar nessa jornada:

1. Entenda que o controle não é uma linha reta

Faz parte do processo compreender que o controle do diabetes não segue uma lógica linear perfeita. Existem dezenas de fatores que influenciam o resultado final de uma glicemia — desde o estresse e noites mal dormidas até variações hormonais e o clima — e muitos deles estão totalmente fora do seu controle. Não se culpe por um número inesperado; o corpo humano não é uma calculadora exata.

2. A aceitação liberta (inclusive em público)

Aceitar a condição é o primeiro passo para se liberar de uma série de amarras. Isso passa por entender que a insulina é sua aliada, não uma punição. Se você precisa aplicar a dose em um restaurante, no trabalho ou em um evento social, faça isso com naturalidade. E aqui vai uma dica de ouro: não deixa ninguém tomar conta do seu prato não! O gerenciamento e as escolhas são seus.

3. Conversa aberta e sem segredos

Não tem por que manter sua condição em segredo. Conversar abertamente e garantir que as pessoas do seu convívio saibam do seu diagnóstico é fundamental. Quando amigos, familiares e colegas de trabalho entendem a sua rotina, eles se tornam aliados. Em casos de hipoglicemia, por exemplo, esse conhecimento de quem está ao seu lado é o que garantirá que você receba a ajuda certa no momento certo.

4. Autoconhecimento e Saúde Mental

Quanto mais você conhece a sua condição e entende a resposta do seu corpo às variações da glicemia, melhor consegue prever a dose necessária para cobrir a alimentação. Mas o conhecimento técnico sozinho não basta: estar com a sua saúde mental em dia será uma grande aliada nesse processo. O equilíbrio emocional te protege da autocobrança excessiva. Se perceber que o peso está grande demais, não hesite em procurar ajuda profissional. Cuidador de si também precisa de cuidado.

Por fim, lembre-se sempre de que você não precisa andar sozinho. A caminhada com o diabetes precisa ser multidisciplinar, contando com uma equipe de saúde que seja aberta, acessível e verdadeiramente parceira nas suas dificuldades, e não apenas juíza dos seus resultados.

Viver com uma condição crônica é uma maratona. Simplificar o processo, ser gentil com você mesmo e cercar-se de apoio é a chave para seguir em frente com muito mais leveza.

Dra. Ilara Schiavo

Me chamo Ilara Schiavo. Me formei no ano de 1994, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Fiz Residência Médica em Enocrinologia e Metabologia também na UERJ/Hospital Universitário Pedro Ernesto. Atuo em Endocrinologia e Clínica Médica.

Atualmente atuo em ambulatório de Diabetes voltado para pacientes em uso de insulina, ambulatório de Tireoidopatias e acompanhamento de Gestantes.

Prezo pelo atendimento integral ao paciente, entendendo que a relação médico paciente é a base para o sucesso do tratamento, explicando e simplificando a linguagem da medicina, apoiando o paciente a dar os passos necessários para o controle do seu caso.

Também sou comentarista do Programa Sábado é Show da Rádio Bandeirantes Rio de Janeiro, com transmissão aos sábados pela manhã.