Obesidade: por que duas pessoas com o mesmo peso podem precisar de tratamentos completamente diferentes

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Precisamos conversar sobre obesidade.

Quando pensamos em obesidade, é comum associarmos o tratamento apenas ao número da balança. Mas, na prática, esse número é apenas uma pequena parte da história.

Cada paciente chega ao consultório com uma trajetória diferente. O mesmo peso pode representar situações completamente distintas, assim como duas pessoas com o mesmo IMC podem precisar de tratamentos diferentes.

Na endocrinologia, não tratamos apenas números. Tratamos pessoas.

Cada Processo de Emagrecimento é Único

Não existe uma fórmula única para tratar a obesidade.

Antes de definir qualquer conduta, é preciso compreender diversos aspetos, como:

  • Histórico de ganho de peso;
  • Presença de diabetes, hipertensão, apneia do sono e outras comorbidades;
  • Uso de medicamentos que favorecem o ganho de peso;
  • Alimentação;
  • Nível de atividade física;
  • Qualidade do sono;
  • Saúde mental;
  • Tentativas anteriores de emagrecimento;
  • Risco de reganho de peso.

Todos esses fatores influenciam diretamente a escolha do tratamento.

“Doutora, Você é a Favor ou Contra as Canetas?”

Essa é uma das perguntas que mais recebo.

A resposta não cabe em um simples “sim” ou “não”.

Os agonistas do receptor de GLP-1 e os agonistas duplos representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade nas últimas décadas. Eles mudaram a forma como cuidamos dessa doença e têm benefícios demonstrados em estudos clínicos e respaldados por diretrizes e consensos científicos.

Mas continuam sendo medicamentos.

Não são sinónimo de estética, nem devem ser encarados como uma solução rápida.

Como qualquer tratamento, possuem indicações, contraindicações, possíveis efeitos adversos e exigem acompanhamento médico.

O Tratamento Vai Muito Além da Perda de Peso

O objetivo não é apenas reduzir um número na balança.

Também buscamos:

  • Controlar as comorbidades;
  • Preservar massa muscular;
  • Prevenir o reganho de peso;
  • Melhorar a qualidade de vida;
  • Reduzir o risco cardiovascular;
  • Incentivar hábitos sustentáveis.

Na maioria das vezes, isso inclui atividade física, alimentação saudável, apoio psicológico e acompanhamento multiprofissional.

Obesidade é uma Doença Crónica

Assim como hipertensão e diabetes, a obesidade é uma condição crónica.

Isso significa que o tratamento não termina quando a pessoa emagrece.

Em muitos casos, o maior desafio passa a ser manter os resultados alcançados.

Por isso, o acompanhamento contínuo faz parte do tratamento.

O Respeito Faz Parte da Medicina

A medicina baseada em evidências orienta nossas decisões. Mas as evidências sempre precisam ser interpretadas à luz da realidade de cada paciente.

O mesmo peso pode ter significados completamente diferentes.

A mesma medicação pode ser indicada para uma pessoa e não para outra.

O melhor tratamento é aquele que respeita a ciência, mas também respeita a história, as necessidades e os objetivos de cada indivíduo.

Porque, quando falamos em obesidade, não tratamos apenas um número.

Tratamos pessoas.

Dra. Ilara Schiavo

Me chamo Ilara Schiavo. Me formei no ano de 1994, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Fiz Residência Médica em Enocrinologia e Metabologia também na UERJ/Hospital Universitário Pedro Ernesto. Atuo em Endocrinologia e Clínica Médica.

Atualmente atuo em ambulatório de Diabetes voltado para pacientes em uso de insulina, ambulatório de Tireoidopatias e acompanhamento de Gestantes.

Prezo pelo atendimento integral ao paciente, entendendo que a relação médico paciente é a base para o sucesso do tratamento, explicando e simplificando a linguagem da medicina, apoiando o paciente a dar os passos necessários para o controle do seu caso.

Também sou comentarista do Programa Sábado é Show da Rádio Bandeirantes Rio de Janeiro, com transmissão aos sábados pela manhã.